Home Data de criação : 08/09/08 Última atualização : 11/10/17 11:19 / 9 Artigos publicados

Artigos Pedagógicos

“Letrar é mais que Alfabetizar”.  (Artigos Pedagógicos) escrito em quarta 08 outubro 2008 20:14

“Letrar é mais que Alfabetizar”.

 Adriana Vieira Caetano

Nos dias de hoje, em que as sociedades do MUNDO estão cada vez mais centradas na escrita, ser alfabetizado, isto é, saber ler e escrever, tem se revelado condição insuficiente para responder adequadamente ás demandas contemporânea . É preciso ir além da simples aquisição do código escrito,é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função social dessas duas praticas; “é preciso letrar-se”.

Analiso que o conceito de letramento é relativamente recente e surgiu como resposta à necessidade de uma nova pràtica na ação de alfabetizar, mais inclusa e abrangente. Embora eu não tenho um conceito pronto e acabado sobre o assunto em questão, devido à sua dimensão social.

Magda Soares(2001), define:ALFABETIZADO-sabe ler e escrever.

LETRADO-faz uso da leitura e da escrita no exercício da cidadania.

Letramento é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade que si vive.

 

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“Os bons leitores não são os que compreendem mais e melhor os textos que lêem, mas os que sentem pra  (Artigos Pedagógicos) escrito em quarta 08 outubro 2008 19:47

Adriana Vieira Caetano

 

“Os bons leitores não são os que compreendem mais e melhor os textos que lêem, mas os que sentem prazer e gosto pela leitura”

 

  Após ler e dedicar-me algum momento de estudo, compreende alguns fundamentos que antes desconhecia e reaprendi outros que antes julgava sem valor pedagógico, hoje analiso mais profundamente as questões da leitura e da escrita, no processo da alfabetização. Para mim, como professora alfabetizadora e grandiosa amante por este tema, sempre me dediquei período de estudo nessa área.

    Para que o nosso aluno possa ser bom leitor, deve ser analisado e discutido vários pontos, para compreender os dois modelos de leitores, como aqueles que compreendem mais e melhor os textos que lêem ou aqueles que sentem prazer e gosto pela leitura. Ensinar a ler é uma tarefa de todo professor. De acordo com Zilberman (2007), raramente a escola provoca lembranças prazerosas de leitura em seus alunos; com atividades pedagógicas entediantes, a leitura parece ficar “do lado de fora” porque os professores não a incorporam ao universo do ensino. A escola deve ensinar o aluno a ter prazer e gosto pela leitura.

A partir das minhas experiências, o professor deve-se motivar e ensinar a ler e a gostar de ler, assim o aluno terá interesse pela leitura, pois para que o aluno possa ler ele terá de ter inúmeras competências que têm de ser aprendidas e praticadas, daí a nossa grande missão de formarem bons leitores no futuro bem próximo, tendo o apoio e a contribuição da escola e da família, caberá à escola o papel de selecionar e de programar as metodologias e as estratégias mais adequadas para promover o desenvolvimento da competência de leitura. A escola não é o lugar onde se ensina para quem não sabe, mas onde há um “saber” que é preciso dominar e que pode ser variável, de acordo com as mudanças do professor e escola.

Considero que aqueles que sentem prazer e gosto pela leitura, devem partir de todas as atividades de estimulação da linguagem escrita sendo realizadas de forma lúdica, através de jogos e brincadeiras, para que a criança sinta prazer em ler e escrever. Em casa, o estímulo deve ser iniciado com a leitura de histórias infantis pelos pais para os filhos, a estimulação de jogos de rimas, que ajudam na consciência fonológica, jogos com letras e desenhos, para a criança já ir se familiarizando com a escrita, leitura de rótulos e propagandas - enfim, nunca se deve obrigar uma criança a ler um livro, e sim fazê-la ter vontade de ler e conhecer a sua história. Ler é viajar para mundos desconhecidos, descobrir o que antes era mistério, fantasiar, deixar a imaginação aflorar dentro do texto. Enquanto lemos, vivemos uma experiência valiosa. Mas muitas vezes a escola forma leitores somente para compreenderem mais e melhor os textos que lêem, deixando de explorar as competências da leitura.

 É fundamental e de grande importância que pais e familiares permitam o acesso a materiais diversos em casa a fim de propiciar a leitura de filhos pequenos. A família é fundamental na formação de bons leitores.  A escola participa, sem dúvida ativamente do processo de leitura, mas quem certamente forma um leitor é a sua própria família.  Na família, as relações sociais, são espontâneas, partilhadas de emoções, valores e crenças experimentados por todos que dela fazem parte. A escola atua como coadjuvante, parceira da família. Pois temos no nosso meio, aluno que compreendem mais e melhor os textos que lêem e já outros que não sentem prazer e gosto pela leitura.

Opções não faltam para quem se dispõe a contribuir para a formação leitora de seus filhos, aqueles que sentem prazer e gosto pela leitura, o educador e pais devem trabalhar com leitura através das histórias em quadrinhos, poesias, piadas, notícias de jornal, dicionários, cartas, letras de música, livros de receitas. Cada leitura realizada seja ela de jornais, revistas, livros, cartilhas, embalagens, placas na rua, entre outros, tem a sua importância e contribui para o crescimento intelectual do indivíduo. Para os pais, propiciar que o filho se torne um bom leitor é pensar no seu futuro, no seu modo de crescer. Quando ele sair da escola, será mais do que nunca um membro efetivo de uma sociedade, que discute, opina, luta. Vai atuar na profissão escolhida, e exercer seus deveres e direitos de cidadão.

Ainda referindo-me à escola, constata-se uma maior preocupação em incentivar a leitura aos alunos da educação infantil e séries iniciais com cantinhos da leitura, hora do conto, etc, o que é muito válido, pois é através dos primeiros contatos que a criança pode se inserir no mundo fantástico da leitura e daí vai, aos poucos, descobrindo outras leituras e se tornando um sujeito leitor. Aponta Larrosa (2004) essa é uma das transformações que a leitura pode proporcionar. É interessante destacar que nesse trabalho coletivo e interativo com a leitura podem ser discutidos textos literários, filosóficos, científicos, teológicos, dependendo dos interesses dos grupos. As rodas de leitura trabalham com o ato de ler em sua essência: ler com prazer, ler para entender o escrito, ler para introduzir-se no mundo imaginário e trazê-lo à realidade, numa espécie de descoberta com a verdade. Assim, não se pode negar que a leitura em grupo amplia e ordena nossos conhecimentos.

A função de cada um de nós, professores e professoras, independente da área curricular, é promover a leitura de textos que devam ser aprofundados para que todos vivenciem o encantamento da descoberta de sentidos trazido pela leitura, dialogando com a realidade e formando para a cidadania. Assim como aponta Freire (1988), “a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por certa forma de ‘escrevê-lo’ ou ‘reescrevê-lo’, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente’”.

Portanto, a função social que a leitura desempenha alcança uma dimensão que nos faz desenvolver habilidades cognitivas e nos leva ao domínio de diferentes competências. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (1997) propõem que sejam oferecidas práticas de leitura que propiciem a reflexão e levem o leitor à construção desses sentidos. Contudo, conforme destacam Cavallo e Chartier (1999), as campanhas de alfabetização em massa sempre privilegiaram a capacidade de ler e não a de escrever, revelando uma forte ideologia por trás de um enfoque pedagógico e indo ao encontro do interesse da indústria editorial no público de leitores e não de escreventes. Isso se deve ao fato de que é possível controlar o que as pessoas estão lendo, mas, no caso da escrita, o controle e a censura se tornam bem mais difíceis, já que ela é uma atividade de iniciativa individual e livre.

A interação entre indivíduos humanos é fundamental para o aprendizado (Vygostky, 1991, p. 33). É através da interação professores-alunos, alunos-alunos e professores-professores que cada indivíduo pode ampliar seu desenvolvimento real, tanto na leitura quanto na escrita.

Temos no nosso meio grande incentivador na leitura, promovendo a aproximação com a linguagem desde o momento em que cantam para os bebês, brincam com eles usando histórias, adivinhações, rimas e expressões folclóricas, ou folheiam livros e revistas buscando figuras conhecidas e perguntando sobre seus nomes.

Ao contrário, deve-se compreender que, quanto mais à criança associar a leitura e a escrita com atividades úteis e que lhe dêem prazer, maior será o seu desejo de aproximar-se delas, maior facilidade ela terá de aprendizado (afinal, aprende-se a ler e escrever lendo e escrevendo) e maiores chances ela terá de levar a leitura e a escrita como aliadas para  toda a vida.

10. Referencial Bibliográfico

BASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volume 3. Conhecimento do Mundo – Brasília, 2001.

BASIL. Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria da Educação Fundamental. Volume 6 de artes e Volume 4 de educação física, 1994.

CAVALLO, Guglielmo & CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental. v.2. São Paulo: Ática, 1999. p. 203-227.

 CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: UNESP, 1998.

FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 22ª ed., São Paulo: Cortez, 1988.

LARROSA, J. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. Tradução de Alfredo Veiga-Neto. 4ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004, p.97-146.

PATTO, Maria Helena S. A produção do fracasso escolar. 2a.ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

 

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